27 de janeiro de 2012

Há Dias Assim...




Sou composta por urgências:
minhas alegrias são intensas;
minhas tristezas, absolutas.
[...]
O que tenho de mais obscuro, é o que me ilumina.
E a minha lucidez é que é perigosa.
[...]

Clarice Lispector

Bocas OnLine

8 comentários:

QUIM disse...

amei..Sou abslutamente louco por Clarice Lispector..minha diva..bj

Seraphyta disse...

Obrigada Quim.

Somos dois a amar a Clarice :)
Escrita intensa, apaixonada.

Anónimo disse...

Da Clarice vem-me sempre A Descoberta do Mundo, um livro que é de cabeceira, daqueles que me dá um gozo enorme acordar e abrir numa página qualquer e ler, e maravilhar-me

"Olhar-se ao espelho e dizer-se deslumbrada: Como sou misteriosa. Sou tão delicada e forte. E a curva dos lábios manteve a inocência.
Não há homem ou mulher que por acaso não se tenha olhado ao espelho e se surpreendido consigo próprio. Por uma fração de segundo a gente se vê como um objeto a ser olhado. A isto se chamaria talvez de narcisismo, mas eu chamaria de: alegria de ser. Alegria de encontrar na figura exterior os ecos da figura interna: ah, então é verdade que eu não me imaginei, eu existo."
Clarice Lispector
em A Descoberta do Mundo

Seraphyta disse...

Anónimo [Stranger],

"ah, então é verdade que eu não me imaginei, eu existo"

Como compreendo...caminhar entre a lucidez e a loucura.

Anónimo disse...

Caminha apesar da loucura, e porque não também apesar da lucidez :-)

«Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer.
Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei quanto tempo for preciso.»

Clarice Lispector

Seraphyta disse...

Anónimo,

Uffaaaa...esta doeu.

Fiquei sem pelavras [o que é difícil]

Sempre o receio de perder a lucidez e a loucura a qualquer momento poder bater à porta :(

Anónimo disse...

Stranger, és faladora? E não estamos todos, nestes dias complicados, sujeitos a isso? à loucura? Mas apesar disso deveremos comer, e amar que também é alimento. Porque no fim apesar de tudo isso iremos morrer :-)

Seraphyta disse...

Stranger,

Nem sempre sou faladora...depende dos dias, dos humores...existem dias em que falo muito e demasiado rápido e é uma maçada para os outros porque faço-o rápidamente...e difícil acompanharem-me ou poderei remeter-me ao silêncio.
Não estamos todos sujeitos à loucura...não tão linear.