18 de dezembro de 2012

Viajar No Comboio - Correio Da Noite


A noite é um telefone público.
Uma voz que não atende.
Um corpo que se agita no desassossego do meu.

Al Berto

Bocas OnLine

14 comentários:

Eros disse...

A noite não só me molda, como me alicerça...

Beijo Querida

Seraphyta disse...

Compreendo, Eros.

Mas, para mim, há noites assim...que são como um corpo que se agita no desassossego do meu!

Beijos em Ti

Anónimo disse...

"Não haverá futuro — e haverá
somente esta lâmina
de quartzo lacerando
a carne amarrotada. E haverá
somente este punhal
de cinza cravado
entre almofadas inúteis
e lençóis vazios."

Seraphyta disse...

"Não tinhas
nome. Existias
como um eco
do silêncio. Eras
talvez
uma pergunta
do vento"

Anónimo disse...

"ouve o que te digo
não esqueças os meus lábios
mesmo quando desfeitos
e a claridade
essa não a procures não nunca
deixa-a ir comigo
até ao esgotamento do meu sangue
até ao limite
do meu corpo em carne viva"

Seraphyta disse...

"...não me vês; caminhas na geometria vã de
uma linha sem pontos; às vezes parece que
alguma coisa te detém e viras-te - talvez
então me chames dentro de ti, talvez até
me olhes. Mas não me vês."

Anónimo disse...

"Os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
Os instantes do teu sorriso eram eternos.
Os instantes do teu corpo de luz eram eternos.

Foste eterna até ao fim."

Seraphyta disse...

"Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

...eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Dentro de ti
não há nada que me peça água..."

Anónimo disse...

"Depois, podes partir. Só te aconselho
que acendas, para tudo ser perfeito,
à cabeceira a luz do teu joelho,
entre os lençóis o lume do teu peito...

Podes partir. De nada mais preciso
para a minha ilusão do Paraíso."

Seraphyta disse...

"desculpa
o que te queria dizer talvez não fosse isto
a solidão turva-se-me de lágrimas
e nas pálpebras tremem visões do meu delírio
olho as fotografias de antigos desertos
corpos coerentes que fomos
bocas de papel amarelecido
onde a sede nunca encontrou a sua água
e às vezes ainda tenho sede de ti"

Anónimo disse...

"Mas se um dia regressares, passeia-te por dentro do meu corpo.
Descobrirás o segredo deste jardim interior — cuja obscuridade e penumbras guardaram intacto o nocturno coração."

Seraphyta disse...

"Se um dia regressares, a terra estremecerá na memória de tua ausência. E a água formará um vasto oceano no outro lado do teu olhar..."

Anónimo disse...

"Fui sabendo de mim
por aquilo que perdia

pedaços que saíram de mim
com o mistério de serem poucos
e valerem só quando os perdia"

Seraphyta disse...

"Nunca soube o teu nome. Entraste numa tarde,
por engano, a perguntar se eu era outra pessoa-
um sol que de repente acrescenta cal aos muros,
um incêndio capaz de devorar o coração do mundo..."