27 de dezembro de 2012

Desejos...



Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!

Eu queria ser o Sol, a luz imensa,
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até a morte!

Mas o Mar também chora de tristeza ...
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!

E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as Pedras ... essas ... pisa-as toda a gente! ...

Florbela Espanca

Bocas OnLine

4 comentários:

Cila disse...

Agora diz-me se a natureza não é algo espantoso de lição de humanidade...sim, a que justamente nós, os humanos, perdemos.

O chão é algo de muito mais espantoso que um software de computador, e se nos oferece para ser pisado...

Música arrebatadora.
Meu coração é assim, um Fado.

Meu olá
:)

Seraphyta disse...

Cila,

É uma música arrebatora assim como a poetisa que a escreveu. Florbela Espanca era avassaladora, uma mulher de paixões arrebatadoras.

A música é belíssima...muito bela :)

Os nossos corações são assim...um Fado.

Um beijo Grande

Anónimo disse...

"Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo
Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento"

Seraphyta disse...

Anónimo,

"Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio..."