4 de novembro de 2017

Lara



























Dorme, meu amor, que o mundo já viu morrer mais este dia e eu estou aqui, de guarda aos pesadelos.
Fecha os olhos agora e sossega...e a minha mão desvia os passos do medo.
...
Por isso, dorme, meu amor, larga a tristeza à porta do meu corpo e nada temas: eu já ouvi o silêncio, já vi a escuridão, já olhei a morte debruçada nos espelhos e estou aqui, de guarda aos pesadelos — a noite é um poema que conheço de cor e vou cantar-to até adormeceres.

Maria Do Rosário Pedreira



 20 De Outubro De 2017 ( Um breve Até Já ) 

7 de janeiro de 2017

21 de novembro de 2016

Vem...






Vem ver-me antes que morra de amor – o sangue
arrefece dentro do meu corpo e as rosas desbotam
nas minhas mãos. Da minha cama ouço a tempestade
nos continentes; e já quis partir, deixar que o vento
levasse a minha mala por aí; fiz planos de correr mundo
para te esquecer – mas nunca abria a porta.

Vem ver-me enquanto não morro, mas vem de noite –
a luz sublinha a agonia de um rosto e quero que me recordes
como eu podia ter sido. Da minha cama vejo o sol
tatuar as costas do meu país; e já sonhei que o perseguia,
que desenhava o teu nome no veludo da areia e sentia
a vida a pulsar nessa palavra como o músculo tenso
escondido sob a pele – mas depois acordava e não ia.

Vem ver-me antes que morra, mas vem depressa –
os livros resvalam-me do colo e o bolor avança
sobre a roupa. Da minha cama sinto o perfume das folhas
tombadas nos caminhos. O Outono chegou. E o quarto
ficou tão frio de repente. E tu sem vires. Agora
quero deitar-me no tapete de musgo do jardim e ouvir
bater o coração da terra no meu peito. Os vermes
alimentam-se dos sonhos de quem morre. E tu não vens.

Maria Do Rosário Pedreira

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Solo



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17 de março de 2015

Telefone Público


A noite é um telefone público.
Uma voz que não atende.
Um corpo que se agita no desassossego do meu.

Al Berto

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5 de setembro de 2014

Blindness


Sinto-me como se tivesse cegado
por excesso de olhar o mundo.

Al Berto

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18 de setembro de 2013

Comboios Barcos que Vão Para Onde?


abandonar a aldeia o lugar a casa o corpo
a escrita e todas as paisagens
viajar no comboio-correio da noite

repisar tua sombra oblíqua naqueles areais
cercado de água morder o coral do medo
onde tua ausência se quebra...migrar
com as marés da noite para regiões onde o sonho existe
fora de ti

uma cerveja outra e outra
para que um sorriso se revele na embriaguez da despedida
abro um livro:
Uma só coisa é necessária: a solidão, a grande solidão interior. Caminhar
em si próprio e, durante horas, não encontrar ninguém - é a isto que é preciso chegar.
não consigo ler mais...fecho os olhos
a paisagem desaparece num rápido e desfocado adeus

penso voltar
e sei que mentira desperta já em mim
recosto-me profundamente no assento...desafio o sono
invade-me a ânsia do eterno viajante

comboios barcos que vão para onde?
esperem por mim
eu vou

Al Berto

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25 de junho de 2013

As Tuas Mãos Queimam-Me A Fala


E tu sussurras:
- Não, não afastes a boca da minha orelha.
derrama dentro dela aquilo que não consegues dizer em voz alta.
E eu digo:
- As tuas mãos queimam-me a fala.
Tu sorris, dizes:
- Vem , sem medo, pela aridez do meu corpo.
No fundo de mim existe um poço onde guardo a tua imagem. É tempo de ta devolver. É tempo de te reconheceres nela.

Al Berto

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11 de junho de 2013

Coso Silêncios À Pele


Há várias maneiras de começar o dia
quando acordo fumo um cigarro

Coso silêncios à pele
num quarto inteiro de palavras vazias
que se repetem como rituais

Durante semanas ensaiei regressos
apesar das paredes vazias
não deixo de fingir que não estou só

Maria Sousa

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1 de junho de 2013

Estudaste Os Teus Mapas?


Um dia perguntou-me:
Estudaste os teus mapas? Conheces os caminhos?

Olhei-a desconfiada e, cheia de medo de me perder,
desenhei-me em quadrado,

desfiz-me em quilómetros.

Filipa Leal

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To Build A Home



There is a house built out of stone
Wooden floors, walls and window sills...
Tables and chairs worn by all of the dust...
This is a place where I don't feel alone
This is a place where I feel at home...

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